Saturday, January 28, 2012

BOM de SENHO

Ainda um dia hei-de desenhar bem.
Mas, se tivesse passado os últimos trinta anos a desenhar a mesma coisa, certamente diria "ah! como eu sou bom de senho."

Wednesday, January 11, 2012

A VANTAGEM DO MARRECO

Quem inventa o instrumento assegura, afinal, o resultado, pois o instrumento condiciona o desempenho humano, cujo, através do uso e interpretação do instrumento, leva ao melhoramento ou criação de novo instrumento, que condiciona o desempenho humano.
O material tem sempre razão, contudo há sempre uma volta desconhecida a dar-lhe, ali à nossa espera, e a curiosidade é um vício que se instala cedo. Ao fim de alguns anos de experiências, os inconvenientes da curiosidade tornam-se óbvios. Sem entrar em mais pormenores, um deles é que se acaba com uma diversidade de obra em cima dos braços que exige desesperadamente seleção.

Tinha prometido uma visita guiada à minha última exposição, a acompanhar uma escolha de obras, mas passou-se tanto tempo depois disso que deixou de fazer sentido. Vão ter que fazer a visita pela reportagem (dois posts baixo) da televisão local. Vou passar diretamente às conclusões finais.
Eliminadas estão obras mais velhas que quinze anos, passe a qualidade e o apelo que possam ter para os interessados, pois não me vejo a regressar tanto no tempo e no estilo. Sobraram, depois de olhar com atenção para as obras expostas (tenho tendência para as esquecer), e consultadas algumas opiniões externas, os três exemplos abaixo.

DIGITAL
Apesar da resistência generalizada dos apreciadores e editores sérios da arte ao desenho feito diretamente em computador, as magníficas reproduções que vieram de Beja para a exposição da Amadora fizeram boa figura. Os mais reticentes não as elegeram como o melhor da exposição, mas ninguém se atreveu a dizer mal, cara a cara com elas. É caminho que vou continuar a trilhar, em havendo tempo e condições.
Do exemplo abaixo podem ver outras versões neste blog. Material: Flash. Vantagem: cabe tudo numa caixinha, combate os vícios da excelência, presta-se a um sem número de novas experiências e corrige-se e adapta-se com facilidade. Desvantagem: faz doer as costas e pode provocar tendinites.

MEDUSA
Esta é uma história infantil feita em conjunto com Nina Govedarica, a primeira experiência no género para ambos. Outras histórias estão na calha, caso haja tempo e condições (de todos os editores contactados apenas um respondeu, negativamente e cerca de ano e meio depois... por este andar...), mas gostámos tanto do resultado, apesar de ainda haver muitas coisas a resolver, que vamos fazer um esforço suplementar. A aprovação foi geral, tanto mais que as ilustrações funcionam melhor ao vivo. Material: lápis (eu) e acrílico (Nina). Vantagem: é bonito e trabalhar a dois é estimulante. Desvantagem: os editores dormem.

CHEZ, MARRECO!
O vencedor, por estranho que pareça, foi o Marreco, na técnica aqui utilizada (que condiciona, como já se viu, o desempenho). Apesar da aprovação não ter sido tão unânime como para o infantil, teve votos de peso, entre eles o de Jean Schulz. O exemplo abaixo foi publicado num jornal local, Grandamadora, nos finais do século passado e é herdeiro da técnica utilizada na página apresentada no post anterior. Podem ver mais exemplos desta sob a designação LABELS/INK FLOW, ou folhear o livro através do link yudu.com (coluna da direita sff). Material: tinta permanente aguada sobre papel Canson mi-teintes, aparo Rotring macio trabalhado de costas (o aparo). Vantagem: presta-se à espontaneidade e à facilidade da tradução da ideia para o papel (pode facilmente ser executado sem esboço) e o resultado é elegante. Desvantagem: está condicionado por um tipo de material, neste caso o aparo, o que é muito irritante, sobretudo num país com falta crónica de materiais de que precisamos num dado momento.











Wednesday, November 30, 2011

Outra exposição, Angoulême 1998

Em cima, a página que apresentei em Angoulême em 1998, papel Canson mi-teintes c. 50 cm x 32 cm, tinta sépia, caneta de tinta permanente, pincel e água da torneira.
Em baixo, o texto de Julio Pinto sobre o festival, num suplemento do Independente da altura (vai em duas partes porque a página inteira não entrava, a internet anda fraquinha, terão que as juntar vocês). Nada tenho a acrescentar ao texto que não seja supérfluo.


Wednesday, October 26, 2011

O UMBRAL LUMIOSO



Luminoso, adj. Que tem luz própria; brilhante; resplandecente; fig. evidente; claro; perspicaz. (Lat. luminosu)
Lumioso
, adj. (pop.). O m. q. luminoso.
(Dicionário de Português, Porto Editora, 4ª edição, já muito velha e rasgada)

A palavra introduzida não foi encontrada. Por favor corrija ou escolha uma sugestão.
(Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, online)


lumioso
lu.mi.o.so
adj (lat luminosu) ant Luminoso.
(Dicionário Online, Michaelis - UOL)

Conheço alguns críticos, colecionistas, especialistas, comentadores, divulgadores, (que sei eu, que sabemos nós?) de banda desenhada que nem depois de estarem à mesa de conversa com os autores conseguem evitar erros e apreciações fáceis de repetir, e que seriam também fáceis de corrigir, tal a ânsia em dizerem o que pensam que pensam e o que pensam que sabem, quase sempre dentro dum previsível molde de senso comum.
No que respeita a Fernando Relvas autor (o outro lado do Urso), alguns têm sido apanhados nas malhas do Umbral Lumioso.

Princípio de história menor, morta à nascença pelo fim da minha colaboração com o jornal Se7e (ver post anterior), hesitante tentativa de mudança de registo, O Umbral Lumioso estava destinado a cair no esquecimento, apesar de eu lhe ter dado nova forma, mais consistente, tanto no desenho como na história, mais de uma década depois (ver label Guncina at the Stake). Esta segunda versão contempla apenas a perseguição que dois primos movem ao estrangeiro que desonrou uma prima comum, pondo em risco a herança de um deles (título em português Pela Honra da Nossa Prima), destinava-se a ser um curto filme de animação, e não toca no lado místico da história original.

Como ia dizendo a propósito das malhas do umbral, sobretudo lumioso, já por várias vezes corrigi a irritante mania dos latinistas em classificarem o umbral de luminoso. Já lhes passou pela cabeça que eu tenha escolhido a palavra lumioso para dar ao título um cunho mais arcaico e popular (estão a ver o monge franciscano num dos últimos desenhos publicados, abrindo os braços como um corvo marinho, em exaltada pregação, é ele o homem do umbral lumioso)?
Pensarão todos eles que o autor é apenas disléxico, que quis fazer uma homenagem a uma conhecida série de banda desenhada (alguém se lembrou desta, tanto é certo e confirmado), ou será que alguém um dia se enganou, ou pensou que o autor se tivesse enganado, e o erro foi copiado uma e outra vez?
Como explicar então que eu já o tenha corrigido mais do que uma vez e ele volte de novo à superfície, qual bóia numa piscina de banhistas? Ou será esta uma forma de o Umbral, manipulando mentes incautas, regressar à sua forma Lumiosa, recusando-se a cair no esquecimento (Ui!)?

Vem isto agora a propósito do AmadoraBD e do texto sobre mim, escrito por Pedro Mota, para o catálogo do festival. Sempre me pareceu estranho que se escreva sobre alguém que está perto e acessível, sem primeiro o consultar, sondar, espiar ou mandar investigar. Mas já tem acontecido, e até me deixou uma vez na caricata situação de me sentir morto há vários séculos e interpretado como se interpretam as estátuas em cima de que cagam os pássaros.
O texto é simpático, como são normalmente os textos assim feitos sobre o meu trabalho, e inteligente (contudo também existem exemplos de antipatias de qualidade), mas a páginas meias ele lá está, o latinisticamente correto Umbral Luminoso! Mais um incauto caído nas malhas do Umbral, pensei eu com desgosto! Se ele tivesse falado comigo, eu tê-lo-ia avisado: Ó Pedro, cuidado com o Umbral!
Tirando isso, só tenho um reparo a fazer. Não foi o álbum que deu cabo da banda desenhada em Portugal. Álbuns nunca seriam demais e o Relvas tentou por várias vezes publicá-los sem sucesso, antes dessa fase. Pelo contrário, houve poucos álbuns.

O que deu cabo da banda desenhada em Portugal foi uma sociedade de compadrios e fidelidades de características rurais, de doutores-e-engenheiros, de falsos otimismos e de imitações de prosperidade, de élites paradas. Deu cabo disso e de muitas outras coisas, e persiste, e está para ficar, cada vez mais de calhau e caliça.

Friday, October 14, 2011

BIOBIBLIO

Não será ainda desta que se conseguiu organizar uma cronologia completa e rigorosa dos meus trabalhos, não só porque alguma indefinição me é agradável, talvez porque tenha aprendido na escola que para ter boas notas a História convém não dar muita importância a datas precisas, mas também porque dá trabalho. Trabalho que os conceituados críticos e historiadores de arte da nossa praça andaram a fazer da maneira que melhor sabem, repetindo durante anos boatos e gralhadices várias, evitando com afincado rigor consultar as fontes e os arquivos.

Mas nalgum lado, algum dia, isto teria que ser arrumado. Artigos, informações ao vento (incluindo uma surpresa até para mim, a minha ubíqua participação no festival da Amadora de 2008) e outras tentativas de organização foram sendo juntas por Jorge Machado-Dias para o BDjornal e depois tivemos os dois uma cerrada comunicação e-epistolar durante uns meses, para prepararmos material para o festival de Beja. Mas, apesar disso, faltaram coisas (e continuarão a faltar).

O texto que se segue, para o catálogo da exposição integrada no festival da Amadora é, até à data, o mais completo e levou apenas a correção de uma gralha, a inclusão, no final, de uma informação importante que tinha ficado esquecida e a atualização de dois títulos, que passaram a fazer parte da exposição.
Estudo para personagem, 1977.

FERNANDO RELVAS – PARA UMA BIOBIBLIOGRAFIA

Jorge Machado-Dias

João Paulo Cotrim, escreveu na introdução do catálogo da exposição Relvas – À Queima Roupa, organizada pela Bedeteca de Lisboa em 1997, o seguinte: “Há uma sindroma Relvas: o talentoso boémio indisciplinado e irrascível que não consegue cumprir um prazo, acabar uma história, fixar-se num estilo, publicar um álbum. Uma espécie de metáfora da banda desenhada em Portugal, que, com pequenas alterações, vai funcionando como álibi para justificar o Estado das Coisas. Como na maioria das ideias feitas, a parte de verdade senão está morta moribundou-se.

O mito dá jeito, e, de vez em quando, talvez até ao próprio, mas não resiste a uma reflexão.
Vão cumpridos mais de vinte anos de produção profissional (e convém que sejam estas palavras frias de operário) que acumulou uma impressionante quantidade de pranchas, caricaturas, cartoons, tiras cómicas e... personagens que vivem na memória de muita e diferente gente. Alguém pode achar que tamanha produtividade ao longo de tanto tempo se pode encaixar no molde apertado da síndroma Relvas?”

Catorze anos depois deste texto escrito e cumpridos trinta e sete anos de carreira de Relvas, basta ler a cronologia abaixo, muito provavelmente ainda incompleta (1), para nos apercebermos de que a síndroma indicada por Cotrim, é mais um mito do que outra coisa. Mito esse acalentado em muitas conversas, no típico “diz que disse” português, especialmente alimentadas pela ausência do autor durante quase seis anos, “auto-exilado”, como costumo escrever – firmando conscientemente o mito –, em Zagreb. Até porque o autor, no tal “auto-exílio”, perante a negação sistematicamente picuinhas dos editores portugueses (de periódicos ou de livros), encontrou formas de se publicar, provando que o tal mito é mesmo... um mito!

Senão, vejamos:
Fernando Relvas, Lisboa, 1954. Autor de banda desenhada, cartonista, caricaturista e ilustrador português, autor de storyboards de animação, publicidade e de ilustrações de livros escolares e infantis.

1975
Jan. – Participa no Jornal/Fanzine O Estripador, director Duarte Boavida, com Melo Relvas (Relvas assinava assim), Delfim Miranda e Bruno Scoriels. Diz Fernando Relvas: “O Estripador não se considerava um fanzine, mas um jornal, talvez aquilo que muito mais tarde o Julio Pinto classificaria como um "calhário", e que não passou do número 0, que foi feito em 1974 mas só saiu em Janeiro de 1975 (problemas de gráficas), levávamos a coisa a sério n’O Estripador, cheguei a ir fazer reportagem a comícios e tudo, já em 75, que nunca foram aproveitados para o número 1. Mas em boa verdade, 1974 foi o ano em que produzi a primeira coisa organizada”.
Dez. – Realiza e produz o fanzine O Gorgulho nº1 e, em Jan. de 1976, o nº2.

1976
Abr./Nov. – No jornal Gazeta da Semana: Chico. Alguns dos cartoon e bandas publicadas na "Gazeta da Semana" deram, no final dos anos 70, lugar a um livro, editado pela Água Mole, Sociedade Cooperativa, SCARL, designado "Gazeta do cartoon - de Zé d'Almeida / Gazeta da banda - de Fernando Relvas". A capa da "Gazeta da banda" era simultâneamente contracapa da "Gazeta do cartoon", ou vice-versa.

1977
Na revista Fungagá da Bicharada, de Júlio Isidro, publica Uki, o Pequeno Esquimó, Espaço 99 1/2 e Chin Lung, o Justiceiro do Rio Amarelo.
1979
Revista Tintin – O Espião Acácio.

1980
Fev. – Na revista Mundo de Aventuras, nº 332 (2ª fase), em separata: O Controlador Louco (11 pranchas + capa da revista).
Set. – Revista Mundo de Aventuras, nº 362 (2ª fase): O Povo de Ferro (1 prancha).
Revista Tintin – Viagem ao Centro da Terra.
Revista Tintin – Rosa Delta Sem Saída.

1981
Revista Tintin – L123.
Revista Tintin – Cevadilha Speed.

1981/83
Revista Pão ComManteiga: Os Planetas Mostram-lhe o Misterioso Mundo da Astrologia.

1982
Revista Tintin – Slow Motion.
Última colaboração na revista Tintin, que entretanto deixou de se publicar, com Kriz 3.
Início da colaboração com o jornal Se7e: Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo.

1983
Jornal Se7e – Niuiork.
Jornal Se7e – Sabina.
Jornal Se7e – Ai, Este Chavalo Seria Tão Barilo Se...

1984
Jornal Se7e – Herbie de Best.
Jornal Se7e – Sangue Violeta.
Jornal Se7e – Tax Diver.
Jornal Se7e – Karlos Starkiller.
Jun. – Revista O Mosquito nº 2 (5ª série): história de 4 páginas com capa – Vast. Inclui entrevista de Geraldes Lino com o autor. Nessa entrevista ficou a saber-se que Relvas havia sido convidado, durante o Festival de Angoulême desse ano, por Jean-Pierre Dionet (co-fundador da mítica revista Metal Hurlant, com Moebius e Druilet), para colaborar na Metal Hurlant Aventure. Mas esta revista acabaria por deixar de ser editada, pelo que não chegou a haver colaboração alguma.

1985
Participou no Cadavre Exquis As Fantásticas Aventuras de Godofredo Leitefresco feita no programa da RTP “Arroz Doce”, de Júlio Isidro, que reuniu diversos autores da BD portuguesa da altura, tais como Jorge Colombo, Fernando Relvas, Carlos Zíngaro, Pedro Massano, Duart, Pedro Morais, entre outros, para a produção in loco das pranchas, que decorria semanalmente durante o programa. Publicado na revista Pau de Canela, do referido programa.
Publicou também (em datas a descobrir) no jornal desportivo Record, e na publicação ecologista A Urtiga, a série As Cabras de Isaac.
Jornal Se7e – A Sombra de Xizhakt Rabin.

1986
Exposição individual no II Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.
Jornal Se7e – Nunca Beijes a Sombra do Teu Destino – primeira história a cores.
Jornal Se7e – A Noite das Estrelas / Soviet Sex.
Jornal Se7e – O Diabo à Beira da Piscina.

1987
Jornal Se7e – O Mistério da Travessa dos Meninos de Deus.
Jornal Se7e – El Papagaio. Esta história foi iniciada com o título A Costa do Marisco – mas, esclarece o autor: “o Papagaio tornou-se independente e substituiu definitivamente A Costa... logo nas semanas a seguir, por isso considero só o Papagaio”.
Jornal Se7e – A Perversa Sobranceria do Hermetismo no Saber.

1988
Jornal Se7e – O Atraente Estranho, que inclui A Missão.
Jornal Se7e – O Umbral Lumioso. Diz o autor: “Foi de facto esta a última história começada no Se7e, mas a minha colaboração foi dispensada ao fim de muito pouco tempo, por acordo das partes – ou seja, o novo director do jornal, que alcunhei de Cebolinha e de quem esqueci o nome, e eu, chegámos à conclusão que já estávamos fartos um do outro, eu fiquei no desemprego e a história ficou-se pelo início, em parte ainda veio a influenciar a criação do Pela Honra da Nossa Prima, storyboard de animação apresentado a concurso de curtas do ICAM em 2002, e que mais tarde, em Maio de 2009, traduzida para inglês como Guncina at the Stake, foi posta no blog.”

1989
Revista Sábado – O Rei dos Búzios, cuja publicação seria interrompida por decisão editorial.
Set. – Exposição Colectiva – BD Portuguesa Hoje. Catálogo editado pelo Comicarte, patrocinado pelas Edições Asa no V Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto..

1990
Nov. – No Programa da peça de Teatro “Aos Crocodilos Mete-se-lhes um Pau na Boca” a partir “Le Bouder” de Enzo Corman, no Teatro Nacional D. Maria II: 6 pranchas de banda desenhada.
Ganha o 1º prémio do Concurso “Navegadores Portugueses”, do Centro Nacional de Cultura, com a história Em Desgraça.

1991
Fev. – Revista LX Comics nº 3, com Gulf Stream, 4 pranchas.

1993
Publicação do àlbum, Em Desgraça, pelas Edições Asa. Revista de informação televisiva TV Mais (nesta, talvez em 1993) e revista Ler (1993)

1994
No jornal O Inimigo, de Júlio Pinto – Testos Torres Contra Cara Dread.
Jornal O Inimigo – Cacilda, O Regresso do Hipopótamo.
Out. – É incluído em Exposição colectiva, onde se mostrava a temática dos descobrimentos portugueses na banda desenhada no V Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

1995
Publicação do àlbum O Nosso Primo em Bruxelas, por edições Livros Horizonte, e que deveria ter sido editado anteriormente pelas edições Asa, que o encomendou em 1993.
Out. – Exposição individual onde apresenta as pranchas de Çufo, no VI Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora. Expõe também estudos e esboços de pranchas para a história A Rainha Jinga, ainda no ambito do apoio do Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, mas que nunca chegou a ser realizada.
Nov. – Revista Quadrado nº 2 (2ª série), da Associação Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto, com Testos Torres Contra Cara Dread (remontada em 4 pranchas) – Episódio de Karlos Starkiller. Com texto de apresentação de João Miguel Lameiras.
Nov. – Exposição individual comemorativa dos vinte anos de carreira, comissariada por Júlio Moreira e lançamento do álbum Çufo, editado pelo Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, no VIII Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.
Em fanzine, auto-edição – O Ananás que Ri.

1997
Publicação do àlbum Karlos Starkiller, pelas Edições Baleia Azul/Bedeteca de Lisboa.
Mar. – Relvas, À Queima Roupa. Exposição individual comissariada por João Paulo Cotrim, na Bedeteca de Lisboa. Textos do Catálogo, de João Paulo Cotrim, João Miguel Lameiras, Jorge Colombo e entrevista de Viriato Teles com o autor.

1998
Publicação do àlbum, L123, pela Edição da Associação do Salão Internacional de Banda Desenhada do Porto.
Jan. Exposição colectiva comissariada por João Paulo Cotrim, Carlos Pessoa e Júlio Moreira, Perdidos no Oceano – 17 Autores Portugueses no Festival International de la Bande Dessinée D’angoulême, onde Relvas participa com uma prancha realizada de propósito para esta exposição: Malubambu.
No jornal GrandAmadora – série de cartoons Chez Marreco.
Set./Out. – Exposição individual nos Recreios da Amadora, Relvas: Banda Desenhada.

1999
Por ocasião dos 25 anos da revolução de 1974, participou com uma curta história, Pai, pisa?, na exposição Uma Revolução Desenhada: o 25 de Abril e a BD, organizada pela Bedeteca de Lisboa, pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.
Publicação de O Rei dos Búzios em CD-rom, editado por Boa Memória – Produções Multimédia, que acompanhou a revista Biblioteca de Setembro de 1999, publicada pela Câmara Municipal de Lisboa. Este CD-ROM inclui uma entrevista ao autor, antigos trabalhos e textos de alguns especialistas, comemorando desta forma 25 anos de carreira do autor.
Conclui, no final do ano, Iva Jau e o Dr. Manga, destinada a ser publicada numa revista portuguesa de banda desenhada. Deveria ter sido publicada em capítulos, à medida que fossem sendo executados, de tal modo que, no início de 2000, deveria ter sido o fim da publicação da história. Contudo a sua publicação foi sendo adiada (provavelmente, diz o autor, devido às cenas eróticas), até que a revista deixou mesmo de se editar em 2002.

2000
Fev. – Incluido na Exposição Colectiva, na Fundação Calouste Gulbenkian – Centro de Arte Moderna: Banda Desenhada Portuguesa Anos 40 – Anos 80 (A Grande Aventura) – Comissariada por João Paiva Boleo e Carlos Bandeiras Pinhero.
Mai. – Incluido na Exposição Colectiva Portugal e a BD: Das Conferências do Casino à Filosofia de Ponta: Panorama Histórico da Banda Desenhada Portuguesa, organizada pela Bedeteca de Lisboa e comissariada por João Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, no Centre Belge de la Bande Dessinée, em Bruxelas.
Set. – Na revista Selecções BD, nº23 (2ª série). História “muda” de seis pranchas, tendo como introdução o texto “O Regresso de Fernando Relvas”, de João Miguel Lameiras. Esta história foi realizada para o monumental volume de 2000 páginas de BD, o Comix 2000, que foi a forma encontrada pela editora francesa L'Association de comemorar o seu 10.° aniversário e o novo milénio. Trata-se de um álbum de histórias mudas (a ausência de texto é justificada por razões comerciais, pois deste modo o Comix 2000 é facilmente compreensível em qualquer parte do mundo), feitas por 324 autores de 29 países diferentes, entre os quais os portugueses Filipe Abranches e Mimi, que funciona como um testemunho do século que finda. Relvas foi um dos 12 mil autores de BD contactados e, embora tenha aceite o desafio, a história publicada nas Selecções BD não chegou a ser incluída nessa publicação por ter sido enviada fora do prazo.

2001
Jul./Ago. – No Phylactère, newsletter da Livraria Dr.Kartoon, de Fanny Denayer, republica uma selecção de cartoons anteriormente publicados no GrandAmadora, com o título O Regresso do Marreco, e escreve também alguns textos sobre outros autores de banda desenhada.
Mar/Abr – Exposição individual, Relvas – Desenhos, na Galeria Municipal Artur Bual, Amadora.

2002
Casa-se com a artista plástica Nina Govedarica e partem, em Dezembro de 2003, para Espanha (Málaga), de onde seguem para a Croácia.

2003
Jan. – Na revista Comix nº 5 (e último), da Devir – Jaca, versão restaurada de Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo e dividida em duas partes, a segunda parte não chegou a ser publicada devido ao encerramento da revista.

2005
Exposição em conjunto com Nina Govedarica no Samoborski Muzej, Samobor, Croácia, em que participa, entre outras obras, com os originais de Iva Jau e o Dr. Manga.
Exposição colectiva no Espaço Delfim Guimarães, Amadora, em que participa com os originais de Iva Jau e o Dr. Manga.

2006
Depois de ter experimentado publicar várias coisas na internet, criando diversos blogues, como o Peixe Cru que eram, nas palavras do autor uma espécie de blocos de apontamentos e de treino para a escrita. Mas desagradado com os adiamentos de publicação por parte de um jornal português, resolve criar o blogue The Hard Line Approach (http://hardline-approach.blogspot.com), que actualmente não existe, onde publica o material destinado ao referido jornal e outras coisas avulsas.

2007
Em 2006, Relvas fez algumas alterações à história Iva Jau e o Dr. Manga remontou-a, passou o texto para inglês e publicou-a no sistema print-on-demand, no site www.lulu.com com o título Palmyra, onde ainda se encontra à venda.
Publica em print-on-demand em lulu.com o livro Ink Flow. Diz o autor: “Todas as histórias deste livro têm poucas palavras e muita tinta, e foram feitas sem qualquer esboço de preparação ou planeamento. A melhor maneira de olhar para eles é manter as palavras como batida de fundo e seguir o fluxo da tinta. Estes contos fazem parte de uma série de pequenos cadernos cosidos à mão (16,25 cm x 12,5 cm), feitos entre 2001 e 2003. Todos eles pertencem agora a colecionadores particulares. Como o suporte publicado na Lulu é diferente, as histórias foram ligeiramente alteradas. O texto em inglês está, em muitas partes, diferente do original português e a sequência dos desenhos não corresponde exatamente ao conteúdo dos cadernos”.
Publica no sistema print-on-demand, no site www.lulu.com, a sua primeira e até agora única novela, O Urso Vai a Espanha. Diz o autor no seu blogue: “Acabado de escrever em 2005, é a minha primeira experiência no campo da novela. Fui por terreno conhecido, e inspirei-me no ambiente de uma banda desenhada feita cinco anos antes. Quem leu “Palmyra” há-de pelo menos reconhecer dois personagens, os funcionários que perseguem o Urso, frescos e a saltar, dessa vez atrás de Jau. A história tem os mesmos elementos de movimento e rapidez duma banda desenhada. As personagens, para além dos portugueses uma chinesa, um angolano, um croata e um russo, são apenas esboçadas. No centro da história, um simples mas estranho mistério envolvendo um frete marítimo. É para ser lida entre dois pontos de uma viagem. A história, que originalmente se chamava “Trottoir”, foi imaginada ainda em Lisboa mas escrita já depois duma estadia por terras de Andalusia. Daí que “O Urso vai a Espanha” seja uma mistura de argumento de banda desenhada com crónica de viagem”.
Jun./Ago. – Publica a revista Costa, de que sairam apenas dois números, com a história The Green Fish, em três capítulos: The Hanging Man, Gospodin Sofer e Skarpina, que foram publicados em print-on-demand no lulu.com, onde estão à venda, e que depois tiveram lugar num blog de curta duração com o mesmo nome da revista.

2008
Cria outro blogue Chinese Master Spy (http://chinesemasterspy.blogspot.com), que também já não existe, onde inicia como webcomics semanais, as histórias The Chinese Master Spy, The Persian Ambassador e as tiras de Kriks, The Perfect Worker, estas em parceria com Nina Govedarica.
Out. – É incluido na Exposição colectiva Tecnologia e Ficção Científica na BD Portuguesa, no XIX Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora.

2010
Publica em print-on-demand em lulu.com as histórias The Chinese Master Spy e The Persian Ambassador, reunidas no livro Li Moonface, que também pode ser lido (em inglês) no yudu.com.
O projecto de curta-metragem animada Fado na Noite, de autoria e realização de Fernando Relvas é seleccionado para o apoio à produção no concurso de curtas-metragens de animação de 2010 do ICA (Instituto do Cinema e do Audiovisual).
19 Set. Regressa a Lisboa.
20 Set. – Inicia a publicação da webcomic The World of Miss Li, suspenso em Dezembro de 2010, uma vez que o autor decidiu que vai modificar a história e remontá-la.
A evolução do seu trabalho pode ser acompanhada em http://urso-relvas.blogspot.com, para onde o autor transportou grande parte do material publicado nos blogues acima referenciados.

Para a elaboração deste esboço bio-bibliografico de Fernando Relvas, contribuiram, obviamente as informações do autor, mas também informações de Leonardo De Sá e de Geraldes Lino.
In BDjornal #27, Maio de 2011

(1)
Certamente ainda incompleta, pois o autor encontrou material adicional, esquecido nas gavetas da memória, ao organizar os trabalhos para a presente exposição, para além de material realizado desde que este texto foi escrito. O autor suspeita que não é esta, ainda assim, uma bio-bibliografia exaustiva.

A saber:

1997
O Ananás que Ri, anteriormente aparecido em forma de fanzine, começa a ser publicado no suplemento de verão do Diário de Notícias mas, ao fim de pouco tempo, é interrompido por decisão editorial. Diz o autor que “estando um pouco farto de ver trabalhos meus interrompidos por decisão editorial, nomeadamente O Rei dos Búzios e O Nosso Primo em Bruxelas, exigi que o jornal publicasse uma justificação ao leitor, em que assumia a responsabilidade da interrupção, coisa que foi recusada, não só pessoalmente, como, depois de iniciado o processo judicial, durante a tentativa de conciliação. No final deste processo foi o DN condenado pelo Tribunal ao pagamento de uma indemnização ao autor, em 2001.”

2011
Io & Hu Q, A Medusa, livro infantil iniciado em 2009, em colaboração com Nina Govedarica, é posto à venda em lulu.com.
The Duoh Report, adaptado dum outro extinto blogue The World Seen from a Head, correntemente em execução.

Sunday, July 03, 2011

NEW WORLD OF LI

I promised you that the story with Li would look different the next time you would see it. I decided to stick to the original story, with a less complicate argument. Here are the first nine pages, reworked in color. In this moment I am still looking for an opportunity to publish this type of work, while finishing older projects, so don't count with the complete story anytime soon.








Thursday, June 02, 2011

BEJA

Chegámos há poucos dias do primeiro fim de semana do festival de banda desenhada de Beja (há mais, ainda estão a tempo), onde, no meio das atividades e de uma generosa e vertiginosa dose de convívio, ainda tivemos tempo para tirar fotografias, algumas que podem ver no Urso do tumblr da corrente semana. São fotos da cidade. Se quiserem acompanhar os acontecimentos do festival, aconselho-vos a dirigirem-se ao blog Kuentro de 31 de Maio e de 1 de Junho.

Thursday, May 26, 2011

IO & HU Q EM LIVRO, LI MOONFACE EM BEJA

Podemos finalmente anunciar a saída (discreta) da aventura de Io e de Hu Q, em busca da Medusa que sabe tudo o que há a saber. Se visitarem a minha montra de livros em lulu.com verão que há lá um título novo, A Medusa, história executada a meias com Nina Govedarica. Afinal, tudo saber pode não ser tudo! A versão em inglês está programada para a semana que vem, e aí poderão ler mais sobre esta história no respetivo blog.
Já este fim de semana estaremos presentes no festival internacional de bd de Beja, onde será lançada a versão em português de Li Moonface pela PedraNoCharco, desta feita a p&b. Mas, para quem estiver interessado, existe a versão a cores na lulu.com, em inglês.
Ainda em Beja, no próximo sábado, será lançado o nº27 do BDjornal com (quase) tudo o que vocês ansiavam saber sobre Fernando Relvas.
Mais informações no blog Kuentro e no site do festival de Beja.

Saturday, April 30, 2011

KRIKS, O TRABALHADOR IDEAL

Esta versão em português do Kriks antecipa um outro projecto semelhante (por enquanto só do conhecimento de alguns escolhidos) e será publicada na revista BDj nº 27, a sair na abertura do Festival Internacional de BD de Beja, no dia 28 de Maio de 2011.






Wednesday, February 23, 2011

Old Stories – Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo (1982)

This story was conceived when I was living for a short while in Germany, with the title Fred? Fred is dead. A young taxi driver is involved in the troubles of an older friend, Fred, who ends up dead due to his line of work, dealing in cocaine. It was supposed to succeed another story I was publishing in a Portuguese magazine, specialized in comic strips -- a more lord-of-the-rings type of story -- and mark my return to the hard world of suburban hard drug of life.

But the magazine ended abruptly and I had to look for a new one if I wanted to survive in the scarce world of Portuguese publishing. I choose a weekly newspaper, at the time the only one that dealt with movies, theatre and mostly music. After some hesitation they finally decided to accept publishing a comic strip.
The taxi driver was transformed into a journalist, grew up in size and dressed in the last central European fashion, and part of the plot dealt around a pop star, Kiki Lavil, the sole purpose of which was to make the story even more fashionable. On the other hand I decided to give Fred a chance of surviving, for it is unclear, in the end, if he dies or not. It is a story of 23 pages titled Concerto para Oito Infantes e Um Bastardo (Concert for short, the rest of the title being very hard to translate properly).

Soon I realized that the usual reader of this type of newspaper had difficulty in following the rhythm of one-and-a-half-page-a-week black-and-white poorly-printed story and, after a second unsatisfying attempt to bring to life the characters from Concerto, I started a period of several years of short stories in that same newspaper, experimenting with a number of styles of text and drawing with irregular results, that lasted roughly till the end of the decade.

The pages you may see bellow are a version from 2002, partially published in a short lived magazine. Bottom you may see how they appeared for the first time to the reader.